O novo investimento no Estrela da Amadora pretende utilizar o campeonato português como plataforma de desenvolvimento de talento, reforçar as infraestruturas do clube e aproveitar as ligações internacionais dos novos acionistas sem alterar a identidade tricolor. Johannes Mösmang apresentou assim as linhas fundamentais do projeto que passa agora a presidir.
O dirigente alemão assumiu a liderança da SAD depois de um consórcio internacional adquirir 90 por cento do respetivo capital. Entre os investidores estão Thomas Müller, Mats Hummels, Yann Sommer e Lucas Hernández, todos com passado no Bayern Munique.
É também de Munique que chega o novo presidente. Mösmang trabalhou durante uma década na estrutura do Bayern, próximo do futebol profissional, e considera essa rede uma ferramenta que o Estrela poderá explorar.
O intercâmbio de jogadores é uma das possibilidades assumidas. Lovro Zvonarek, médio croata ligado ao Bayern, já chegou à Reboleira neste verão e Mösmang admite que outros jovens próximos da equipa principal alemã possam encontrar no Estrela um contexto para competir e desenvolver-se.
A lógica, porém, é mais ampla do que uma ligação privilegiada a um único clube. O novo presidente vê Portugal como um mercado particularmente favorável ao crescimento de jovens provenientes da América do Sul, África e restante Europa e destaca a capacidade dos clubes portugueses para desenvolver e exportar talento para os principais campeonatos.
Essa característica foi uma das razões para o investimento no Estrela. Outra está na própria natureza do clube: a localização na área de Lisboa, a tradição, a cultura e uma base de adeptos que a nova administração considera possível alargar também fora de Portugal.
Mösmang não pretende competir diretamente pela fidelidade dos adeptos portugueses já ligados a Benfica, Sporting ou FC Porto. A internacionalização deverá procurar sobretudo novos públicos e acompanhar o crescimento desportivo do projeto.
Antes disso, porém, a prioridade estará nas estruturas. O presidente considera que os resultados desportivos oscilam inevitavelmente entre temporadas e que são as infraestruturas que permitem criar valor e estabilidade duradouros.
A nova administração anunciou por isso a intenção de investir nessa área, juntamente com formação, inovação e desenvolvimento institucional.
Existe também uma promessa política para dentro do clube: crescer sem descaracterizar. Mösmang insiste que os adeptos devem continuar no centro da identidade do Estrela e que a entrada de capital internacional não significa substituir as raízes construídas na Amadora.
É aí que estará o primeiro teste ao novo projeto. A ligação ao Bayern pode trazer jogadores e conhecimento, o investimento pode transformar condições de trabalho e a rede internacional pode aumentar a projeção. Mas o crescimento que Mösmang promete será medido também pela capacidade de fazer tudo isso sem transformar o Estrela noutra coisa.















