Rodrigo Mora é oficialmente jogador da Roma. O FC Porto transferiu os direitos de inscrição desportiva e 50 por cento dos direitos económicos do médio de 19 anos por 25 milhões de euros fixos, aos quais poderão juntar-se mais dois milhões mediante objetivos desportivos, numa operação cuja estrutura permite aos dragões assegurar no futuro um encaixe global de pelo menos 50 milhões ou conservar uma participação numa eventual transferência posterior.
A Roma dispõe de opções para adquirir os restantes 50 por cento por mais 25 milhões de euros. Em sentido inverso, o FC Porto ficou com uma opção de venda incondicional da percentagem que mantiver, usando o mesmo valor de referência e obrigando o clube italiano a comprá-la caso os portistas decidam exercê-la.
Esta arquitetura é importante para perceber o verdadeiro valor da operação. O FC Porto não recebe 50 milhões agora: entram 25 milhões garantidos, acrescidos de um máximo de dois milhões em variáveis. Os restantes 25 milhões dependem do mecanismo estabelecido para a metade dos direitos económicos que permanece na esfera portista.
O comunicado do clube esclarece ainda dois elementos com impacto nas contas: não haverá dedução relativa ao mecanismo de solidariedade nos valores a receber e os encargos declarados com serviços de intermediação correspondem a 10 por cento do montante da transação.
Mora deixa o Dragão depois de uma década de azul e branco. Chegou à formação em 2016, estreou-se profissionalmente pela equipa B aos 15 anos e chegou à equipa principal com 17. No total, o FC Porto contabiliza-lhe 80 jogos pela equipa principal, 16 golos e seis assistências, além da conquista de um campeonato e de uma Supertaça.
A transferência encerra também uma negociação particularmente sinuosa. Luís Miguel Henrique, advogado do jogador, descreveu o processo como tendo estado praticamente desfeito poucos dias antes do acordo e relatou um ambiente de desconfiança entre as partes. A operação acabou por ser recuperada e concluída depois de vários dias de contactos.
Em Roma, a expectativa foi imediatamente visível. Mora foi recebido por uma multidão no aeroporto, cumpriu os procedimentos necessários para formalizar a transferência e integrou já o treino da equipa de Gian Piero Gasperini em Trigoria.
A despedida do FC Porto foi assumida pelo próprio jogador e pela família. Mora recordou os dez anos passados no clube, desde a chegada ainda criança ao título festejado nos Aliados, enquanto a irmã, Francisca, agradeceu o apoio recebido pela família ao longo do percurso.
O FC Porto perde um dos talentos mais valiosos produzidos recentemente no Olival, mas transforma-o simultaneamente num ativo de enorme peso financeiro. A Roma recebe um internacional sub-21 português de 19 anos; os dragões recebem já 25 milhões e mantêm instrumentos que podem elevar significativamente o retorno.
É precisamente aí que está a particularidade do negócio: Mora saiu definitivamente do FC Porto, mas uma parte relevante do seu valor económico futuro continua ligada ao clube onde cresceu.















