Tiago Margarido quer que o Vitória de Guimarães entre na Pedreira para discutir o jogo desde o primeiro minuto e encontrou num triunfo recente dos próprios vitorianos a referência para aquilo que pretende: o 2-0 conseguido em Braga em setembro de 2024.
O treinador sabe pessoalmente o que é vencer naquele estádio. Na época passada conseguiu-o ao comando do Nacional, mas considera que essa experiência tem pouco valor para preparar um contexto emocionalmente diferente.
«Temos é de nos inspirar no jogo que o Vitória fez há dois anos», afirmou.
A escolha não está centrada apenas no resultado.
Margarido destacou a qualidade apresentada nessa noite e, sobretudo, a capacidade da equipa vimaranense para assumir os próprios valores em território do rival. É essa personalidade que quer recuperar esta segunda-feira.
A memória de Alvalade serve como contraponto.
O treinador considerou que o Vitória entrou mal no encontro com o Sporting e não quer voltar a oferecer ao adversário uma fase inicial de domínio antes de começar a competir. Na Pedreira exige «peito aberto», futebol ofensivo e capacidade para criar oportunidades desde o início.
O Braga chega com muito mais minutos competitivos devido à participação europeia, mas Margarido recusa transformar essa diferença numa justificação prévia.
Reconhece até uma dificuldade específica: os vários encontros europeus oferecem informação sobre o adversário, mas nem sempre reproduzem os comportamentos utilizados na Liga, competição em que a equipa de Carlos Vicens disputou apenas um jogo.
Quando começar o dérbi, sustenta, essa diferença deixará de interessar.
«Não há favoritos», afirmou, garantindo que o Vitória vai entrar exclusivamente para ganhar.
Margarido deixou também em aberto a utilização de Mosquera, já integrado progressivamente no trabalho coletivo, mas recusou fornecer informação que possa facilitar a preparação arsenalista.
Foi mais expansivo a falar de Doucet.
O técnico considera que o médio cresceu durante a adaptação e destacou a capacidade para construir desde zonas baixas, variar através do passe longo e acrescentar agressividade. Vê-o como um seis com características de oito, capaz de estabilizar a equipa sem limitar a progressão.
O dérbi encerra ainda uma fase do mercado.
Margarido garantiu que o plantel está fechado para esta partida, mas antecipou entradas e saídas nos dias seguintes e espera uma semana com «bastantes novidades».
Até lá, porém, só existe a Pedreira.
E a referência escolhida pelo treinador não podia ser mais direta: entrar como entrou o Vitória que ali venceu por 2-0, sem esperar que o jogo lhe conceda espaço para começar a jogar.















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