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Margarido quer um Vitória «de peito aberto» e procura inspiração no último triunfo em Braga

Treinador rejeita favoritos no dérbi e pede uma entrada diferente da exibida em Alvalade. Mercado deverá provocar «bastantes novidades» no plantel depois da deslocação à Pedreira.

Tiago Margarido quer que o Vitória de Guimarães entre na Pedreira sem esperar pelo jogo e escolheu uma referência concreta para explicar aquilo que procura: o triunfo por 2-0 conseguido pelos vimaranenses em Braga há duas temporadas. Mais do que repetir o resultado, o treinador quer recuperar a personalidade com que a equipa enfrentou então o dérbi.

«Esse jogo tem de servir de inspiração», afirmou na antevisão ao encontro desta segunda-feira, marcado para as 20h15.

Margarido conhece pessoalmente a sensação de vencer na Pedreira. Conseguiu-o na época passada enquanto treinador do Nacional, mas recusa usar essa experiência como referência principal. Um dérbi, sustenta, apresenta uma carga competitiva diferente.

A exigência começa na entrada em campo.

O treinador não esqueceu aquilo que aconteceu em Alvalade, onde considera que o Vitória concedeu demasiado antes de conseguir mostrar o próprio jogo. Contra o Braga quer «jogar de peito aberto», assumir uma ideia ofensiva e não oferecer ao adversário uma parte de avanço.

A diferença de ritmo entre as equipas também não será usada como desculpa. O Braga disputou já vários encontros oficiais devido às eliminatórias europeias, enquanto o Vitória teve um calendário menos carregado. Margarido reconhece que isso dificulta a análise porque os minhotos têm pouca amostra de jogos especificamente realizados na Liga, mas considera que a diferença desaparece quando começar o dérbi.

Há também sinais internos que o treinador quer consolidar.

O crescimento de Doucet foi destacado como exemplo de um reforço que precisou de tempo para absorver as novas ideias antes de aproveitar a oportunidade. Margarido vê no médio capacidade para construir desde zonas baixas, utilizar o passe longo e oferecer agressividade, características de um jogador que pode atuar como seis sem ficar limitado a essa função.

Mosquera também está em progressão e já trabalha com o grupo, embora o treinador tenha recusado revelar se será utilizado.

Depois do dérbi poderá mudar bastante coisa.

Margarido antecipou uma última semana de mercado com «bastantes novidades», admitindo movimentos tanto de entrada como de saída. Para a Pedreira, porém, considera o plantel fechado.

A preocupação imediata é outra: descobrir se a vitória sobre o Nacional representou apenas o primeiro resultado positivo ou o início da transformação de uma equipa jovem que o treinador acredita já ter produzido mais futebol do que os pontos conquistados mostram.

No dérbi, terá um teste sem necessidade de interpretação posterior. Margarido quer ver desde o primeiro minuto os valores que diz pertencerem ao Vitória. E quer vê-los precisamente no estádio onde uma equipa vimaranense já mostrou, há duas épocas, a forma como pretende voltar a jogar.