A passagem de João Gião pelo Nacional terminou ao fim de apenas quatro jornadas da Liga, numa mudança suficientemente precoce para não poder ser explicada apenas pela classificação. O treinador deixou a Choupana depois de uma vitória, um empate e duas derrotas, interrompendo um projeto que tinha começado poucos meses antes e no qual participara na própria construção do plantel.
O início não apontava para uma rutura tão rápida.
O Nacional empatou 2-2 com o Santa Clara na estreia e venceu depois o Estoril por 2-0. Seguiram-se a derrota por 1-0 em Guimarães e o desaire caseiro por 3-2 diante do Estrela da Amadora, resultado após o qual a administração decidiu mudar o comando técnico.
A SAD confirmou apenas o fim da ligação e agradeceu o trabalho desenvolvido, sem tornar públicas razões adicionais para a saída. A rapidez da decisão, contudo, torna inevitável a discussão sobre se os resultados explicam por si só aquilo que aconteceu.
João Gião tinha sido apresentado no final de maio para a primeira experiência como treinador principal na Liga, depois do trabalho desenvolvido no Sporting B. Na altura, a própria administração assumira a aposta num técnico jovem como parte de um projeto que pretendia dar continuidade à consolidação do Nacional no principal escalão.
É precisamente essa distância entre a aposta de maio e a decisão de setembro que torna a saída relevante para além dos quatro resultados.
Um treinador que participa na pré-época, trabalha durante dois ou três meses na preparação da equipa e ajuda a definir mecanismos e características do plantel deixa inevitavelmente uma estrutura construída à sua imagem. O sucessor não recebe uma folha em branco. Recebe uma equipa já preparada segundo outras ideias e terá de alterar comportamentos com a competição em andamento.
O Nacional já escolheu Alexandre Santos para iniciar esse novo ciclo, mas a mudança não será imediata no banco. Bruno Abreu, treinador dos juniores, assume interinamente a equipa na deslocação deste sábado a Alvalade, enquanto o novo técnico deverá iniciar funções depois do encontro com o Sporting.
O contexto torna a transição particularmente exigente.
O Sporting chega ao jogo depois de três vitórias consecutivas no campeonato e de uma goleada por 4-0 em Vila do Conde, enquanto o Nacional entra em Alvalade sem o treinador que preparou a temporada e com uma solução interina a dirigir a equipa.
Isso não determina o resultado.
Determina apenas o ponto de partida.
O problema maior para o Nacional começa depois de Alvalade. A administração decidiu que quatro jornadas foram suficientes para interromper um projeto iniciado no verão. Agora terá de provar que a mudança antecipou uma solução melhor em vez de apenas criar uma nova pré-época quando o campeonato já começou.















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