O Vitória de Guimarães conquistou a primeira vitória no campeonato com um 1-0 sobre o Nacional que teve duas faces muito distintas. Gustavo Silva marcou logo aos quatro minutos, os minhotos construíram oportunidades suficientes para resolver o encontro cedo, mas a falta de eficácia manteve os madeirenses vivos e transformou a segunda parte num teste à capacidade vitoriana para proteger uma vantagem mínima.
O golo nasceu precisamente numa das zonas que o Vitória melhor explorou. Miguel Nogueira encontrou espaço pela direita e colocou a bola na área, onde Gustavo Silva dominou com o peito e finalizou. A movimentação daquele corredor, com Tony Strata, Nogueira e Samu a criarem superioridade e a atacar a profundidade, tornou-se o principal problema defensivo do Nacional durante a primeira meia hora.
O 1-0 ficou muito aquém da produção ofensiva dos minhotos. Tony Strata, Miguel Nogueira, Gustavo Silva, Alioune Ndoye e João Mendes dispuseram de situações para aumentar a diferença, mas o Vitória repetiu um problema já visível no arranque da época: facilidade em chegar a zonas perigosas e dificuldade em converter domínio em golos.
João Gião reconheceu depois do encontro que o Nacional entrou abaixo do nível pretendido. O treinador identificou falta de energia, problemas nos tempos de pressão e dificuldades para controlar as bolas colocadas nas costas da última linha. Admitiu também que a vantagem do Vitória ao fim da primeira meia hora era justa e poderia ter sido maior.
Os últimos 15 minutos antes do intervalo começaram a anunciar outra partida. O Nacional passou a ter mais bola, conseguiu retirar algum conforto ao Vitória e aproximou-se da área contrária, com Pablo Ruan a ameaçar perto do descanso.
A segunda parte começou com a melhor oportunidade do Vitória para acabar com a discussão. Zé Vítor derrubou Miguel Nogueira dentro da área e Pedro Ramalho assinalou grande penalidade. Samu assumiu a cobrança, mas Renato Marín defendeu e manteve o Nacional a apenas um golo do empate.
Pouco depois surgiu novo episódio na área madeirense. Pedro Ramalho voltou inicialmente a apontar para a marca dos onze metros, numa situação envolvendo Samu, mas foi chamado a rever o lance e anulou a decisão. A equipa de arbitragem, com Hélder Malheiro no VAR, não voltou a ter uma intervenção com influência no marcador.
A partir daí, o jogo mudou emocionalmente. O Vitória deixou de jogar com a liberdade da primeira parte e começou a sentir o peso das oportunidades desperdiçadas. O Nacional ganhou metros, aumentou a agressividade sobre as segundas bolas e acertou na barra aos 53 minutos. De la Cruz teve depois nova possibilidade para empatar.
Tiago Margarido reconheceu que a sua equipa não soube gerir tão bem o encontro depois do penálti falhado. O treinador considerou o Vitória novamente acutilante, mas admitiu desacerto na definição e alguma ansiedade à medida que o segundo golo não aparecia. Ainda assim, destacou o crescimento da equipa e a forma como criou vantagens pelo lado direito.
A leitura de João Gião convergiu no essencial. O técnico considerou a segunda parte muito mais próxima do nível que pretende para o Nacional e viu a equipa manter-se competitiva até ao fim, mas reconheceu que o Vitória criou mais oportunidades e que o resultado se ajustou ao conjunto da partida.
Foi essa diferença entre produção e eficácia que tornou o triunfo mais difícil do que parecia destinado a ser. O Vitória fez muito para construir uma vantagem maior, mas marcou apenas uma vez; o Nacional fez demasiado pouco durante meia hora, mas reagiu o suficiente para manter o resultado em aberto até ao último apito.















