A gravidez não significa necessariamente uma interrupção completa da atividade física de uma futebolista de alto rendimento. O treino pode continuar, desde que exista acompanhamento médico, adaptação progressiva e ausência de contraindicações. A competição coloca, porém, uma questão diferente: o risco de contacto e de traumatismo abdominal.
A atividade aeróbica moderada é habitualmente considerada benéfica numa gravidez sem complicações e pode contribuir para reduzir alguns riscos associados à gestação.
Uma atleta profissional parte ainda de uma condição física muito superior à média e pode conservar parte importante desse trabalho.
Isso não significa manter exatamente o mesmo programa.
A intensidade e duração dos treinos devem ser ajustadas à evolução da gravidez, com particular atenção à hidratação, temperatura corporal, alimentação e sinais clínicos que justifiquem uma redução adicional da carga.
No futebol existe depois um elemento impossível de controlar completamente.
Choques entre jogadoras, quedas, bolas recebidas no corpo e outras ações de impacto fazem parte da própria competição. É esse risco, mais do que o exercício em si, que torna desaconselhável continuar a disputar partidas durante a gravidez.
O treino individualizado permite outro controlo.
A futebolista pode preservar força, capacidade cardiovascular e mobilidade através de trabalho adaptado e reduzir a distância física que terá de recuperar depois do parto.
Também não existe fundamento para considerar que uma gravidez impede automaticamente o regresso ao nível anterior.
A recuperação depende de cada caso, mas uma atleta pode voltar ao alto rendimento quando existe acompanhamento adequado e tempo suficiente para reconstruir progressivamente a condição física.
O desafio não é escolher entre gravidez e exercício.
É perceber que competir, treinar e recuperar são três problemas diferentes e devem ser tratados como tal.















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