Cinco jornadas ainda não permitem decidir um campeonato, mas já permitem perceber como FC Porto, Sporting e Benfica estão a tentar ganhá-lo.
Os três candidatos partem de situações diferentes.
O FC Porto é aquele que apresenta maior continuidade.
A equipa manteve grande parte das rotinas da temporada anterior, fez alterações cirúrgicas no plantel e começou o campeonato com uma estabilidade competitiva que lhe permite ganhar mesmo quando o futebol não atinge níveis particularmente exuberantes.
A principal força está precisamente aí.
O FC Porto raramente necessita de jogar no limite para controlar os adversários de menor dimensão e apresenta poucas oscilações dentro do mesmo encontro.
Cinco jornadas, cinco vitórias.
O Sporting vive praticamente o processo contrário.
O bicampeonato encerrou um ciclo para várias figuras importantes e a equipa foi obrigada a substituir jogadores que durante duas épocas definiam comportamentos coletivos.
A renovação foi profunda.
Alguns reforços entraram imediatamente nas escolhas principais e Rui Borges está a construir novas relações sem dispor do tempo que uma transformação desta dimensão normalmente exigiria.
Os erros aparecem.
Também aparecem sinais de que o coletivo começa a absorver as mudanças.
A vitória sobre o Nacional mostrou precisamente isso: capacidade para controlar, resolver e depois gerir sem transformar as substituições numa perda de identidade.
O Benfica mudou igualmente muito, mas a melhoria mais evidente não vem apenas dos reforços.
João Palhinha acrescenta uma referência de qualidade já comprovada ao meio-campo e Lenglet oferece experiência no eixo defensivo, mas grande parte do crescimento resulta do rendimento de jogadores que já pertenciam ao plantel.
Prestianni tornou-se mais constante.
Rafa voltou a oferecer capacidade de desequilíbrio.
Leandro Barreiro aparece com maior influência ofensiva.
Pavlidis continua a transformar volume de jogo em golos.
É uma diferença relevante.
O Benfica não está apenas a comprar soluções.
Está a retirar mais das soluções que já tinha.
Há ainda outro dado que atravessa os três candidatos.
A distância de recursos para grande parte do campeonato torna cada ponto perdido fora dos confrontos diretos particularmente caro.
Isso aumenta o peso dos clássicos e dérbis, não porque o título tenha obrigatoriamente de ser decidido nesses jogos, mas porque os deslizes perante os restantes adversários tendem a ser menos frequentes.
Depois de cinco jornadas, nenhuma conclusão é definitiva.
Mas os caminhos já são reconhecíveis.
O FC Porto procura prolongar aquilo que já funcionava.
O Sporting tenta construir outra equipa sem deixar de ganhar.
O Benfica procura descobrir quanto melhor pode ser com uma versão superior de jogadores que já conhecia.















)