Stephen Eustáquio deixa o FC Porto com a convicção de ter participado não apenas nas vitórias, mas também na reconstrução de um balneário que hoje considera «super coeso e unido». A caminho do Swansea, o internacional canadiano fez um balanço da passagem pelo Dragão e colocou o papel de capitão entre as experiências que mais o marcaram.
A responsabilidade ganhou particular peso numa das épocas que descreve como das mais difíceis do clube. Ao lado de Cláudio Ramos, Iván Marcano e Diogo Costa, Eustáquio procurou ajudar a manter o grupo unido durante um período de maior instabilidade. A leitura que faz agora é simples: o FC Porto voltou a ser campeão, o balneário está unido e a equipa recuperou a ligação aos adeptos.
O médio também leva consigo uma compreensão diferente da exigência portista. Recorda o impacto de entrar no Olival e perceber que todos trabalham para ser campeões, mas também o ambiente depois de uma derrota. Foi aí que diz ter percebido plenamente que, no FC Porto, perder é tratado como algo intolerável.
Entre os títulos, escolhe a Taça da Liga como o mais especial. O clube nunca tinha conquistado a competição e Eustáquio marcou tanto na meia-final, frente ao Académico de Viseu, como na final diante do Sporting.
Há ainda momentos que sobreviveram ao resultado imediato. O golo mil no Estádio do Dragão, marcado ao Atlético de Madrid na Liga dos Campeões, permanece entre as memórias de maior orgulho. A recuperação frente ao Sporting na Supertaça de 2024 é outra das noites que guarda como exemplo da capacidade da equipa para continuar a acreditar quando o jogo parecia perdido.
A ligação ao clube também atravessou o período mais difícil da sua vida pessoal. Eustáquio perdeu os pais enquanto representava o FC Porto e recorda a presença dos colegas, dirigentes, estrutura e presidente durante o processo de luto. O futebol, admite, acabou por funcionar como um ponto de apoio num momento em que precisava de continuar a cumprir uma missão diária.
Agora muda a posição a partir da qual acompanhará a equipa. Eustáquio é sócio, tal como a namorada e a filha, e resume a mudança de forma quase literal: antes era um adepto que jogava pelo FC Porto; a partir de agora será um sócio que verá os jogos de fora.
A transferência encerra a carreira de azul e branco, mas não a relação. Eustáquio deixa o balneário e entra na bancada.















