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Dos 65 golos no Feyenoord a uma época sem marcar na Serie A: o percurso de Santiago Giménez

Mexicano formado no Cruz Azul tornou-se um dos avançados mais produtivos dos Países Baixos antes de chegar ao Milan. Uma longa lesão no tornozelo interrompeu a progressão e o FC Porto oferece-lhe agora um novo começo aos 25 anos.

Santiago Giménez chega ao FC Porto com uma carreira dividida por duas versões quase opostas do mesmo avançado: a do goleador que marcou 65 vezes em 105 jogos pelo Feyenoord e a do jogador que passou grande parte da última temporada a tentar recuperar o corpo e o espaço perdido no Milan.

Nasceu em Buenos Aires, a 18 de abril de 2001, mas cresceu no México e representa a seleção mexicana. Filho de Christian «Chaco» Giménez, antigo internacional mexicano, foi formado no Cruz Azul e chegou à equipa principal ainda adolescente, estreando-se em agosto de 2017.

O percurso no clube mexicano terminou com 105 jogos e 21 golos. Giménez participou também na equipa que conquistou o campeonato mexicano em 2021, encerrando um jejum de 23 anos do Cruz Azul.

A mudança para a Europa aconteceu no verão de 2022. O Feyenoord encontrou nele o avançado que acabaria por se transformar numa das referências ofensivas da equipa de Arne Slot.

Na primeira temporada marcou 23 golos em todas as competições e ajudou o clube de Roterdão a conquistar a Eredivisie. No campeonato seguinte chegou aos 23 golos apenas na Liga e confirmou que a adaptação inicial não tinha sido circunstancial.

O impacto foi suficientemente grande para deixar uma marca histórica. Em 2023, Giménez marcou 31 golos na Eredivisie ao longo do ano civil e superou o anterior máximo de Luis Suárez. Fez também um hat-trick na goleada por 4-0 ao Ajax na Arena e marcou dois golos na estreia na Liga dos Campeões, frente à Lazio.

Saiu dos Países Baixos em fevereiro de 2025 com 65 golos e 14 assistências em 105 partidas, depois de conquistar um campeonato, uma Taça dos Países Baixos e uma Supertaça. O Milan contratou-o em definitivo e assinou com o mexicano até junho de 2029.

A passagem por Itália começou de forma razoável, com cinco golos em 14 jogos da Serie A na segunda metade de 2024/25, mas a época seguinte alterou a trajetória. Giménez iniciou 2025/26 condicionado por problemas físicos e uma lesão persistente no tornozelo direito acabou por obrigá-lo a uma intervenção cirúrgica em dezembro.

O afastamento prolongou-se durante vários meses. Regressou à competição em 2026, mas terminou a Serie A com 16 jogos, 11 como titular, uma assistência e nenhum golo. O próprio Milan reconheceu que a temporada tinha sido profundamente condicionada pela lesão e pelo longo período necessário para recuperar.

Também o Mundial de 2026 não produziu a afirmação que o avançado procurava. Giménez entrou como suplente em quatro partidas do México, somando menos de 90 minutos e sem marcar. No encontro dos oitavos de final frente à Inglaterra voltou a sofrer um problema no tornozelo nos descontos.

A relação com a seleção, porém, já tinha conhecido um momento muito diferente. Em 2023, marcou aos 88 minutos o único golo da final da Gold Cup frente ao Panamá, dando o título ao México.

É esse contraste que ajuda a explicar a oportunidade que surge agora. O FC Porto não contrata um avançado por descobrir. Contrata um jogador que já demonstrou capacidade para produzir golos em grande volume, incluindo na Liga dos Campeões, mas que precisa de recuperar continuidade depois de uma passagem por Milão interrompida por lesões e sem a progressão esperada.

Aos 25 anos, Giménez chega ao Dragão ainda suficientemente cedo para reconstruir essa trajetória. O ponto de referência está bem definido: encontrar novamente o avançado que saiu de Roterdão com 65 golos em dois anos e meio, e não aquele que passou a última época a procurar condição física, minutos e golos em Itália.