Gustavo Silva marcou aos quatro minutos o golo que deu ao Vitória de Guimarães o triunfo por 1-0 sobre o Nacional e foi eleito Homem do Jogo. A explicação que encontra para a própria ambição, porém, começa muito antes de chegar ao futebol profissional.
O brasileiro cresceu num contexto de dificuldades profundas, passou fome e começou cedo a trabalhar para ajudar a família. Foi pedreiro, apanhou laranjas e goiabas, pescou, vendeu peixe, trabalhou em reciclagem, supermercado e na loja de materiais de construção do pai.
Não teve uma estrutura de formação de clube durante a infância. Cresceu a jogar na rua e associa hoje essa experiência à personalidade mais fechada que desenvolveu e à fome competitiva que procura levar para o campo.
A chegada à Europa aconteceu através do Nacional, em 2022. O clube madeirense abriu-lhe a porta para um novo patamar da carreira e Gustavo mantém uma relação de gratidão com essa passagem.
No último domingo, porém, foi precisamente contra o antigo clube que marcou o golo decisivo. O Vitória conseguiu a primeira vitória da temporada e o extremo recebeu a distinção individual de melhor jogador da partida.
Em Guimarães encontrou uma realidade que também considera diferente. O clube prolonga-se pela cidade e a exigência dos adeptos acompanha os jogadores fora do estádio, no supermercado, na padaria e na rua.
Gustavo não vê essa pressão como um peso exterior. Quer integrá-la na própria ambição e diz pretender tornar-se mais um dos que vivem o Vitória com intensidade. Para explicar essa vontade não precisa de regressar aos troféus ou aos contratos. Regressa à infância e ao percurso que teve de atravessar para chegar até aqui.















