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Da fome e dos trabalhos na rua ao golo pelo Vitória: Gustavo Silva conta o caminho até Guimarães

O extremo decidiu o encontro com o Nacional e explica como uma infância marcada por dificuldades continua a alimentar a ambição no futebol.

Gustavo Silva marcou o golo que deu ao Vitória de Guimarães a primeira vitória da temporada e acabou eleito Homem do Jogo diante do Nacional. Aos 27 anos, porém, o extremo encontra a motivação muito antes do futebol profissional.

O jogador recorda uma infância marcada por dificuldades, fome e ausência de uma estrutura de formação que o acompanhasse desde cedo. Foi na rua que cresceu e é aí que identifica parte da competitividade que transportou para a carreira.

Antes de viver do futebol, passou por vários trabalhos. Foi pedreiro, apanhou fruta, pescou, vendeu peixe, trabalhou em reciclagem, supermercado e no negócio de construção do pai. A sucessão de experiências não é apresentada como uma história paralela à carreira, mas como parte daquilo que moldou a forma como encara cada oportunidade.

A Europa chegou através do Nacional, em 2022. Gustavo considera essa mudança o momento mais importante da carreira e mantém gratidão pelo clube madeirense. Isso não impediu que, no último domingo, marcasse pela primeira vez contra a antiga equipa e decidisse a vitória vimaranense por 1-0.

O golo teve também um efeito pessoal. O extremo admite que procurava há algum tempo marcar ao Nacional e descreveu o primeiro golo da temporada como a libertação de um peso.

Em Guimarães encontrou ainda um contexto que corresponde à sua própria intensidade. A relação da cidade com o Vitória, sentida no supermercado, na padaria ou na rua, transforma o futebol numa presença permanente e aumenta a exigência sobre os jogadores.

Gustavo não foge dessa pressão. Quer fazer números, marcar mais golos e ajudar o Vitória a conquistar resultados. A ambição nasce do presente, mas continua ligada ao mesmo ponto de partida: olhar para o caminho percorrido e recusar tratá-lo como suficiente.