Bruno Pinheiro sabe que o Académico de Viseu não pode disputar o encontro com o FC Porto nos termos preferidos pelo adversário. Para criar dificuldades ao líder, o treinador identifica uma exigência quase total: ganhar duelos, resistir aos períodos sem bola e ser suficientemente competente quando surgir espaço para atacar.
O principal problema está na pressão portista. Bruno Pinheiro vê uma equipa capaz de passar rapidamente de uma organização zonal para referências individuais, reduzindo o tempo disponível para construir e obrigando o adversário a decidir sob pressão.
A primeira resposta terá de aparecer nos duelos. Se o Académico os perder de forma sistemática, antecipa o treinador, passará demasiado tempo sem bola. Se conseguir equilibrá-los, poderá prolongar as posses e obrigar o FC Porto a defender durante períodos maiores.
Defensivamente, a estratégia não passa por copiar a pressão alta dos dragões. O Académico pretende escolher os momentos para subir, manter paciência quando tiver de defender mais baixo e procurar transições capazes de provocar desconforto.
Bruno Pinheiro reconhece que haverá fases de sofrimento. A equipa terá de aceitar esses momentos sem abdicar de jogar quando recuperar a bola, num equilíbrio que considera indispensável para aproximar o encontro das possibilidades do Académico.
O jogo terá ainda uma dimensão pessoal. Bruno Pinheiro e Francesco Farioli coincidiram na Aspire Academy, no Qatar, e mantêm uma relação de amizade. O treinador viseense elogiou o percurso do italiano e considera que o FC Porto soube olhar para além do final da passagem pelo Ajax quando decidiu contratá-lo.
A amizade ficará suspensa durante 90 minutos. Num Fontelo com casa cheia, Bruno Pinheiro quer transformar um adversário que conhece bem num problema diferente daqueles que o FC Porto encontrou nas primeiras jornadas. Para isso, resumiu a exigência sem rodeios: o Académico precisa de um jogo praticamente perfeito.















