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Navegação principal da época 2026/27.

Data: 22 de agosto – 10 de setembro de 2026

Braga dominou, soube sofrer e deixou Viena a dois golos de distância

Pau Víctor abriu o marcador de penálti, falhou outro e Diego Rodrigues fez o 2-0 aos 88 minutos. Depois de uma semana marcada por problemas físicos e gastrointestinais, os minhotos produziram uma primeira parte de grande nível e resistiram ao melhor período austríaco.

O SC Braga venceu o Áustria Viena por 2-0 e construiu uma vantagem importante para a segunda mão do play-off da Liga Conferência. Mas o resultado vale mais quando colocado ao lado da semana que o antecedeu: sem Ricardo Horta, lesionado, depois de uma infeção gastrointestinal ter afetado uma parte considerável do plantel e perante um adversário que cresceu perigosamente no início da segunda parte, a equipa de Carlos Vicens conseguiu jogar, sofrer e voltar a jogar.

A primeira parte pertenceu claramente ao Braga. Não apenas pela posse ou pelo território, mas pela facilidade com que os minhotos encontraram jogadores entre linhas e chegaram à área austríaca com a jogada ainda organizada.

Denis Huseinbasic deu o primeiro aviso logo aos dois minutos, obrigando Samuel Radlinger a intervir. Johannes Eggestein respondeu pouco depois, mas foi um episódio isolado num período em que João Moutinho e Demir Tiknaz controlaram o centro do jogo e permitiram ao Braga variar constantemente a direção do ataque.

Tiknaz voltou a aproximar a equipa do golo aos 17 minutos, travado por uma intervenção decisiva de Buhari Ibrahim. O central austríaco conseguiu então evitar o perigo, mas seria protagonista pela negativa pouco depois.

Uma má abordagem deixou Huseinbasic em posição para atacar a área e Buhari recorreu ao contacto para impedir a progressão. Ishmael Barbara assinalou grande penalidade e Pau Víctor transformou-a aos 25 minutos.

O 1-0 não reduziu a ambição do Braga. João Moutinho procurou o segundo num remate em arco, Fran Navarro ficou muito perto de finalizar uma excelente jogada de Gabriel Silva e até o médio internacional português apareceu de cabeça em zona de finalização.

Ao intervalo havia uma sensação clara: a superioridade tinha sido maior do que a diferença no marcador.

O Áustria Viena corrigiu isso à sua maneira no regresso dos balneários. Julian Hettwer obrigou Bernardo Fontes a uma grande defesa aos 47 minutos e, praticamente na jogada seguinte, Manfred Fischer desviou uma bola à barra.

Foram dois avisos consecutivos e a demonstração de que a eliminatória tinha mudado momentaneamente de temperatura.

O Braga já não conseguia instalar-se tão facilmente no meio-campo adversário e os austríacos começaram a encontrar espaço para correr. A equipa de Vicens teve então de mostrar uma qualidade diferente daquela que exibira durante a primeira parte: maturidade para não transformar um período inferior num jogo descontrolado.

Conseguiu-o.

O ritmo baixou, as distâncias voltaram a encurtar e o Áustria perdeu progressivamente o ímpeto com que tinha regressado ao campo. A vantagem permaneceu mínima, mas deixou de parecer permanentemente ameaçada.

Aos 83 minutos, o Braga teve a oportunidade de aumentar a diferença através de nova grande penalidade. Pau Víctor voltou a assumir a marcação, mas desta vez Radlinger adivinhou o lado e defendeu.

O falhanço poderia ter deixado no jogo uma sensação de oportunidade perdida. Durou cinco minutos.

Quando o Áustria voltou a procurar terreno mais adiantado, o Braga encontrou espaço e construiu uma transição rápida e limpa. Mario Dorgeles deu continuidade à jogada e Diego Rodrigues apareceu para concluir o 2-0 aos 88 minutos.

O golo tinha justiça coletiva e uma dimensão individual particular. Diego tinha sido um dos jogadores afetados pelos problemas gastrointestinais que perturbaram a preparação e entrou para decidir precisamente quando as pernas começavam a pesar.

Foi também a confirmação de que o banco acrescentou alguma da energia que a equipa tinha perdido.

O 2-0 não resolve a eliminatória. O Áustria Viena mostrou durante alguns minutos da segunda parte que consegue criar dificuldades quando encontra espaço e será obrigado a assumir muito mais jogo diante do seu público.

Mas a primeira mão deixou uma diferença clara.

Quando teve força para mandar, o Braga foi melhor. Quando deixou de ter força para mandar, soube resistir. E quando o adversário se expôs à procura do empate, teve lucidez para encontrar o segundo golo.

Depois de uma semana em que o problema foi perceber quem estaria em condições de jogar, Carlos Vicens acabou a noite com uma questão muito mais confortável: como defender em Viena uma vantagem que a equipa conquistou sem precisar de abdicar da sua ideia.