Borja Sainz voltou a marcar pelo FC Porto 236 dias depois e o golo em Vila do Conde pode significar mais do que o fim de um longo jejum. O extremo espanhol entrou aos 66 minutos frente ao Rio Ave, fechou a vitória por 0-2 na fase final e ganhou argumentos para lutar por um lugar no onze na receção ao Arouca.
O último golo tinha acontecido ainda em dezembro, quando bisou em Alverca numa vitória portista por 3-0. Desde então, a produção ofensiva caiu de forma acentuada e Borja atravessou a segunda metade da temporada passada sem voltar a marcar.
A quebra coincidiu também com um período particularmente difícil no plano pessoal. O espanhol perdeu a mãe em fevereiro e o FC Porto acompanhou-o numa fase em que o futebol passou inevitavelmente para segundo plano. O golo frente ao Rio Ave teve, por isso, uma dedicatória especial.
Dentro de campo, a resposta foi igualmente importante. Borja entrou com energia, ofereceu intensidade ao corredor e marcou o segundo golo numa altura em que o Rio Ave procurava aproximar-se do empate. A sua entrada ajudou o FC Porto a transformar um resultado ainda aberto numa vitória segura.
Francesco Farioli nunca deixou de considerar o extremo uma peça importante. Mesmo quando perdeu espaço para Oskar Pietuszewski, o treinador continuou a valorizar características que não aparecem apenas nas estatísticas ofensivas: capacidade de pressão, disponibilidade para trabalhar sem bola e intensidade na reação à perda.
Foi precisamente esse perfil que ajudou Borja a manter utilização regular apesar da queda de rendimento. Na primeira metade da época passada somou 1039 minutos na Liga; nas últimas 17 jornadas ficou pelos 561, reflexo da concorrência e da afirmação rápida de Pietuszewski.
Agora, a situação pode voltar a mudar. O jovem polaco está lesionado e as posições exteriores têm sido ocupadas sobretudo por Pepê e William Gomes. A resposta de Borja em Vila do Conde oferece a Farioli uma alternativa em melhor momento.
O contexto do próximo jogo acrescenta uma curiosidade. O adversário será o Arouca, precisamente uma equipa diante da qual o FC Porto viveu, na época passada, um dos momentos emocionalmente mais marcantes do período difícil vivido pelo espanhol, quando o grupo lhe dedicou uma vitória após a morte da mãe.
Borja regressa agora a esse confronto num ponto diferente. O luto permanece parte da sua história, mas o futebol voltou a oferecer-lhe uma pequena libertação: 236 dias depois, a bola voltou a entrar.
O golo não garante a titularidade. Garante algo que nesta fase talvez seja mais importante: Borja Sainz voltou a apresentar-se como candidato real a conquistá-la.















