O Benfica conquistou a Supertaça feminina ao vencer o FC Porto por 5-1 no Fontelo, num resultado que só ganhou dimensão de goleada depois de uma primeira parte muito mais equilibrada. As portistas discutiram o jogo, chegaram ao empate e tiveram antes um golo anulado, mas as campeãs nacionais foram mais fortes nos momentos decisivos e transformaram progressivamente a diferença de experiência coletiva numa diferença também no marcador.
O FC Porto não entrou na primeira Supertaça da sua história para esperar.
Aos oito minutos, Morgan Stone cabeceou para a baliza na sequência de um livre lateral batido por Maria Negrão e as portistas chegaram a festejar.
O VAR identificou fora de jogo.
O golo foi anulado.
A resposta do Benfica foi imediata.
Frøya Dorsin, em estreia pela equipa principal, apareceu aos 13 minutos para fazer o 1-0 e obrigar o FC Porto a correr atrás de um resultado que poucos minutos antes imaginara ter colocado a seu favor.
As portistas não desapareceram.
A equipa continuou competitiva, procurou disputar o meio-campo e conseguiu transformar essa resistência em resultado aos 33 minutos, quando Fátima Pinto converteu uma grande penalidade.
1-1.
Era o momento em que o FC Porto conseguia equilibrar também o marcador.
Durou nove minutos.
Nycole Raysla aproveitou uma desatenção defensiva e devolveu a vantagem ao Benfica aos 42, permitindo às encarnadas entrar no intervalo novamente por cima.
Foi uma primeira parte muito diferente daquela que o marcador final acabaria por sugerir.
O FC Porto pressionou mais alto do que no confronto entre as equipas na final da Taça de Portugal, tentou assumir mais momentos de construção e conseguiu obrigar o Benfica a disputar o jogo em diferentes registos.
Ivan Baptista reconheceu essa diferença.
A segunda parte mostrou outra.
O Benfica regressou mais confortável na circulação, aumentou a capacidade de chegar com várias jogadoras à área e começou a explorar melhor os espaços deixados por uma equipa portista obrigada a procurar novamente o empate.
Aos 55 minutos, Alice Reto perdeu a bola para Catarina Amado e derrubou a lateral dentro da área.
Marit Lund converteu a grande penalidade aos 57.
3-1.
A partir daí, a final começou a afastar-se do FC Porto.
Os cartões mostrados à linha defensiva portista condicionaram também a agressividade das abordagens, numa fase em que o Benfica passou a ganhar mais duelos e a encontrar maior liberdade no último terço.
O quarto golo sintetizou essa superioridade.
Caroline Møller iniciou a jogada, lançou Lúcia Alves pela direita e continuou a corrida até à área. A lateral devolveu-lhe a bola rasteira e a dinamarquesa finalizou aos 66 minutos.
Lúcia Alves, que acabaria distinguida como melhor jogadora da final, esteve no centro de vários dos momentos em que o Benfica conseguiu transformar posse em progressão e progressão em vantagem territorial.
O quinto nasceu do banco.
Chandra Davidson apareceu pela direita aos 81 minutos e serviu Anna Csiki, também lançada durante a segunda parte, para fechar o 5-1 na estreia da húngara.
O resultado entregou ao Benfica a quarta Supertaça da sua história e colocou as encarnadas isoladas como clube mais titulado da competição, ultrapassando as três conquistas do Sporting.
A diferença final não apaga tudo aquilo que aconteceu antes.
O FC Porto conseguiu discutir a primeira parte, empatou e mostrou comportamentos mais ambiciosos do que no último confronto entre as equipas.
Maria Negrão colocou precisamente aí a principal leitura portista.
O projeto entra no primeiro ano na principal divisão, recebeu numerosas jogadoras durante o verão e continua a construir novas relações coletivas perante um adversário que conserva uma base muito mais estabilizada.
«Isto é só o início.»
A segunda parte mostrou, ao mesmo tempo, quanto caminho ainda existe entre conseguir competir durante períodos e sustentar essa competitividade durante uma final inteira.
O Benfica soube explorar essa diferença.
Ivan Baptista encontrou uma equipa capaz de pressionar alto, recuperar perto da baliza adversária e chegar à frente com número suficiente de jogadoras para transformar pequenos desequilíbrios em ocasiões.
Para o treinador, foi aí que estiveram os detalhes que decidiram a partida.
Não em episódios isolados.
Na capacidade para os produzir repetidamente.
Pauleta seguiu a mesma linha quando analisou o golo anulado ao FC Porto.
A capitã recusou tratá-lo como o momento que determinou a final e defendeu que o Benfica teria mantido o plano mesmo se as portistas tivessem marcado primeiro: pressionar alto, recuperar rapidamente e procurar ter bola.
O primeiro troféu também não alterou a exigência.
O Benfica ganhou muito nos últimos anos.
Quer continuar a ganhar.
A própria construção do plantel aponta para uma época longa, dividida entre a necessidade de continuar a dominar internamente e a ambição de reduzir a distância competitiva sentida quando chega a Europa.
Para isso, o crescimento do próprio futebol feminino português também interessa.
Ivan Baptista valorizou a entrada do FC Porto na principal divisão e o ambiente criado no Fontelo pelas duas massas associativas como sinais de uma competição que pode ganhar qualidade através de maior rivalidade.
No domingo houve já uma diferença evidente.
Durante uma parte, houve uma final.
Na segunda, houve uma equipa que sabia melhor como transformá-la num troféu.















