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Navegação principal da época 2026/27.

Benfica já começou a época, mas ainda está a construir a equipa

A resposta ao St. Gallen confirmou Pavlidis como referência e mostrou progressos no modelo de Marco Silva. A eliminatória com o Hearts, um plantel ainda sujeito a entradas e saídas e a estreia na Liga à porta fechada mantêm, porém, o clube num início de temporada instável.

O Benfica iniciou 2026/27 antes de ter o plantel fechado e sem dispor do tempo normalmente associado a uma pré-época convencional. A participação nas eliminatórias da Liga Europa antecipou a necessidade de obter resultados, expôs fragilidades ainda durante a construção da equipa e obrigou Marco Silva a conjugar preparação, competição e mercado. A primeira imagem oficial foi negativa. A derrota por 2-1 diante do St. Gallen, na Suíça, colocou o Benfica em desvantagem na segunda pré-eliminatória e mostrou uma equipa ainda distante do nível exigido pelo treinador. Marco Silva identificou dificuldades no controlo do jogo, excesso de duelos individuais e problemas na chegada às zonas de finalização. A resposta na Luz foi suficientemente forte para inverter a eliminatória e alterar a perceção imediata sobre a equipa. O Benfica venceu por 5-0, assegurou a passagem à terceira pré-eliminatória e marcou encontro com o Hearts, primeiro em Lisboa, a 6 de agosto, e depois na Escócia, no dia 13. A goleada não deve, contudo, ser interpretada como prova de que o processo está concluído. O próprio Marco Silva recusou a ideia de uma recuperação de imagem. Para o treinador, o Benfica limitou-se a cumprir a obrigação de vencer uma eliminatória diante de um adversário cuja qualidade era inferior. Essa leitura ajuda a identificar o ponto em que a equipa se encontra. O Benfica já revelou capacidade para corrigir erros entre dois jogos, mas continua a ser observado sobretudo pela regularidade com que consegue aplicar essas correções. Na Luz, controlou melhor os duelos, ligou com maior qualidade a primeira fase de construção e encontrou mais vezes os espaços de finalização. Nos últimos dez minutos, mesmo em superioridade numérica, voltou a permitir transições que o treinador considerou inadmissíveis. A diferença entre os primeiros 80 minutos e o final do encontro resume parte do trabalho que falta realizar. A equipa foi dominante, eficaz e mais organizada, mas ainda não controla todos os momentos da partida com a consistência pretendida. Para Marco Silva, controlo não significa apenas conservar a bola. Significa impedir que o adversário encontre transições, escolher os momentos para acelerar e preservar o equilíbrio depois da perda. Vangelis Pavlidis foi o jogador que melhor transformou essa evolução coletiva em rendimento individual. O avançado marcou quatro dos cinco golos ao St. Gallen e confirmou-se como a principal referência ofensiva do início da época. O registo ganhou maior significado porque terminou 2025/26 num período de menor produção e com dúvidas sobre a continuidade no clube. Pavlidis marcou 30 golos em cada uma das duas últimas temporadas, mas fechou a época anterior com apenas três entre fevereiro e maio. Durante o verão, vários clubes procuraram conhecer as condições de uma transferência, e o Benfica chegou a admitir negociar por cerca de 40 milhões de euros. Marco Silva, porém, deixou claro desde o início que não pretendia perder o internacional grego. A decisão de conservar Pavlidis não resultou apenas da sua capacidade de finalização. O treinador destacou o trabalho sem bola, a ligação entre setores e a importância do avançado para a forma de jogar. Frente ao St. Gallen, o movimento de apoio e retenção de Pavlidis ajudou a melhorar a primeira ligação da equipa, além dos quatro golos que decidiram a eliminatória. O Benfica encontrou assim uma referência para organizar o ataque, mas o setor ofensivo continua relacionado com as decisões do mercado. A contratação de Jhon Durán reduziu o espaço de Franjo Ivanovic, por quem o Betis já iniciou contactos. O clube espanhol admite uma transferência definitiva ou um empréstimo com obrigação de compra, embora ainda não exista acordo. Ivanovic custou 22,8 milhões de euros no início da época anterior e terminou a temporada com oito golos e duas assistências em 48 jogos. O seu rendimento não correspondeu totalmente às expectativas, e a entrada de Durán alterou a hierarquia dos avançados. A provável saída do croata mostra que o Benfica não está apenas a acrescentar jogadores: está a redefinir funções e a corrigir apostas recentes. No meio-campo, a situação também permanece aberta. O Al Ittihad mantém interesse em Leandro Barreiro e poderá aproximar-se dos 15 milhões de euros, embora o Benfica tenha inicialmente exigido cerca de 18 milhões. O internacional luxemburguês regressou às opções para a segunda mão com o St. Gallen, depois de falhar o primeiro encontro, e continua ligado ao clube até 2029. Ao mesmo tempo, João Palhinha surge associado a uma possível entrada. Não existe confirmação oficial nem negócio concluído. O Bayern assumiu, porém, que o médio não ocupa uma posição relevante nos planos, e a relação anterior com Marco Silva no Fulham constitui um elemento favorável a uma aproximação. A contratação faria sentido desportivo porque acrescentaria recuperação de bola, experiência e equilíbrio, características importantes numa equipa que ainda permitiu transições mesmo quando enfrentava dez adversários. Mas a lógica tática não resolve as condições financeiras, a concorrência de outros clubes ou a vontade do jogador. Neste momento, Palhinha representa uma possibilidade de mercado, não uma solução já disponível. A defesa também poderá sofrer alterações. António Silva terminou o encontro com o St. Gallen visivelmente emocionado, numa altura em que o presidente do Benfica já admitira a existência de uma proposta. Marco Silva recusou confirmar a saída e remeteu desenvolvimentos para os dias seguintes. A eventual transferência obrigará o clube a avaliar não apenas o encaixe financeiro, mas também o impacto sobre uma estrutura defensiva que ainda está a assimilar novos métodos. Clément Lenglet já integra a equipa e marcou diante do St. Gallen, mas a perda de António Silva retiraria uma opção formada no clube e habituada às exigências internas. Na baliza, Anatoliy Trubin iniciou a quarta temporada sob pressão. O ucraniano completou, na goleada, o 60.º jogo sem sofrer golos em 151 participações pelo Benfica, mas continua longe de reunir consenso entre os adeptos, enfrenta a concorrência de Samuel Soares e poderá igualmente entrar nas movimentações do mercado. O próprio guarda-redes reconheceu que existem aspetos do seu jogo a melhorar. A declaração é coerente com a fase da equipa: há resultados positivos e números relevantes, mas ainda não existe estabilidade suficiente para afastar dúvidas sobre todas as posições. Nem todos os processos de saída avançaram como previsto. Tiago Gouveia chegou ao México para assinar pelo Atlas, mas a transferência caiu na fase final devido a divergências entre o clube mexicano e os representantes do jogador. O Benfica receberia três milhões de euros e conservaria 50 por cento dos direitos económicos, podendo a operação atingir sete milhões. O extremo regressa, assim, a uma situação que parecia encerrada e que terá de ser novamente resolvida. Também não existe base para apresentar João Souza como uma contratação perdida pelo Benfica. Embora notícias brasileiras tenham referido uma proposta encarnada de 20 milhões de euros, informações posteriores indicaram que o lateral do Tottenham não fazia parte dos planos do clube. O episódio mostra como o mercado produz narrativas que nem sempre correspondem às prioridades efetivas da estrutura desportiva. Para além dos nomes, há sinais de mudança no funcionamento diário. No jogo da Luz, os suplentes iniciaram o aquecimento mais tarde do que era habitual e não houve jogadores a aquecer durante a primeira parte. São alterações pequenas, mas visíveis, associadas aos métodos de uma nova equipa técnica que procura controlar cargas, preparação e momentos de utilização. O primeiro teste interno ao novo Benfica já não é um particular. É uma sucessão de eliminatórias europeias em que uma má noite pode comprometer parte relevante da temporada. Depois de sobreviver ao St. Gallen, a equipa terá de enfrentar o Hearts enquanto continua a decidir quem entra, quem sai e que jogadores serão estruturais. A estreia na Liga acrescentará outra dificuldade. O Benfica recebe o Académico de Viseu, em 9 de agosto, à porta fechada, na sequência de uma decisão da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto. O clube manifestou desacordo, mas a sanção tornou-se definitiva depois de esgotadas as possibilidades de recurso e inclui ainda uma multa de 150 mil euros. Marco Silva tinha acabado de destacar a importância de transformar a Luz numa fortaleza e de jogar perante cerca de 60 mil adeptos. O primeiro encontro do campeonato será disputado precisamente sem esse apoio, obrigando a equipa a reproduzir competitividade e intensidade num ambiente sem público. O Benfica chega, portanto, ao início da Liga com uma primeira resposta convincente, mas não com todas as respostas. Pavlidis está valorizado e central no modelo. A equipa mostrou capacidade para corrigir falhas. Marco Silva já começou a impor métodos e critérios. Mas permanecem indefinidas posições relevantes na defesa, no meio-campo, na baliza e no ataque. A questão principal de 2026/27 não é saber se o Benfica consegue produzir uma goleada. Já demonstrou que consegue. É perceber se conseguirá estabilizar uma forma de jogar enquanto disputa eliminatórias decisivas e o mercado continua a modificar o plantel. O resultado diante do St. Gallen afastou o primeiro perigo. O Hearts, as possíveis transferências e o começo da Liga determinarão se essa reação foi o início de uma construção consistente ou apenas uma resposta forte a uma emergência.