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Navegação principal da época 2026/27.

Data: 22 de agosto – 10 de setembro de 2026

Benfica fez quase tudo na primeira parte, mas deixou a eliminatória respirar

Rafa, Leandro Barreiro e Pavlidis construíram o 3-1 antes do intervalo. Hedenstad evitou uma diferença muito maior e o único erro defensivo sério das águias deu aos dinamarqueses um golo para levar para a segunda mão.

O Benfica venceu o Aarhus por 3-1 e parte para a Dinamarca com dois golos de vantagem no play-off de acesso à fase de liga da Liga Europa. O resultado é bom. A exibição durante grande parte da primeira parte foi melhor. E é precisamente aí que fica a pequena contradição da noite: a equipa de Marco Silva criou condições para deixar a eliminatória muito perto de resolvida, mas entre as defesas de Mads Hedenstad, um erro próprio e uma segunda parte de gestão acabou por permitir ao adversário conservar esperança.

A entrada explicou quase tudo o que o Benfica queria fazer. Pressão alta, recuperação rápida, circulação veloz e jogadores permanentemente a aparecer entre linhas ou nas costas da primeira pressão dinamarquesa. Aos dois minutos, Bah acelerou pela direita e colocou a bola na área; depois de a defesa não conseguir limpar o lance, Rafa apareceu para fazer o 1-0.

O golo não mudou o comportamento. Prestianni continuou agressivo a partir da esquerda, Rafa apareceu por dentro e fora, Sudakov procurou os espaços entre o meio-campo e a defesa e Pavlidis voltou a funcionar como referência e ponto de ligação. Atrás deles, Leandro Barreiro teve uma função decisiva: apoiar por dentro, chegar à área e aparecer onde a jogada terminava.

Foi assim que nasceu o segundo. Aos 31 minutos, após um canto, Pavlidis ganhou a primeira bola e o Aarhus ainda conseguiu evitar o golo sobre a linha. Barreiro atacou a sobra e fez o 2-0. Não foi um acaso posicional. Marco Silva explicaria depois que procurou precisamente utilizar a capacidade do luxemburguês para chegar às zonas de finalização quando a bola entrava pelo lado contrário.

O problema apareceu cinco minutos depois e também teve uma causa identificável. O Benfica perdeu uma bola que não precisava de perder quando estava instalado no ataque, não conseguiu controlar a transição e permitiu ao Aarhus atravessar rapidamente o campo. Bech participou na progressão, Andersen encontrou Sebastian Jørgensen e o remate do dinamarquês não deu hipótese a Samuel Soares.

O 2-1 foi mais do que um golo sofrido. Foi a demonstração de que a enorme superioridade territorial e ofensiva não dispensava rigor quando a posse desaparecia. Marco Silva recusou depois explicar o lance apenas por falta de agressividade: apontou sobretudo para o risco desnecessário assumido com a bola e para a forma como a equipa ficou exposta depois da perda.

A reação foi forte. O Benfica voltou a acelerar, obrigou Hedenstad a novas intervenções e encontrou o terceiro antes do intervalo. Num canto, Tomás Araújo desviou a bola de cabeça e Tobias Bech intercetou-a com o braço. Marco Guida deixou inicialmente o jogo prosseguir, mas foi chamado pelo VAR, reviu o lance e assinalou grande penalidade. Pavlidis converteu aos 45+2 e devolveu ao marcador a diferença de dois golos.

Ao intervalo, o 3-1 sabia a pouco. O guarda-redes do Aarhus tinha sido já o jogador mais influente da equipa visitante, impedindo que várias boas situações produzidas pelo Benfica transformassem a primeira mão numa goleada.

A segunda parte teve outro jogo. Jakob Poulsen baixou ainda mais a equipa, concentrou praticamente todo o bloco nos últimos 30 metros e preferiu proteger o resultado a continuar a disputar o encontro em campo aberto. O Benfica ficou com a bola, mas perdeu velocidade, agressividade na circulação e capacidade para criar sucessivamente desequilíbrios.

Também havia uma explicação física. As águias tinham jogado na segunda-feira em Rio Maior e Marco Silva admitiu que faltou alguma frescura. Richard Ríos entrou por Leandro Barreiro, Schjelderup e Jhon Durán substituíram Prestianni e Pavlidis e, mais tarde, Aursnes regressou à competição e Kaminski entrou para os minutos finais. As alterações refrescaram jogadores, mas não devolveram à equipa a vertigem da primeira parte.

Ainda houve oportunidades. Schjelderup entrou bem, Durán deixou qualidade em algumas ações e Dahl terminou o encontro a obrigar Hedenstad a mais uma intervenção. Nada alterou, porém, o 3-1.

A eliminatória ficou bem encaminhada, não decidida. O Aarhus sabe-o tão bem que o capitão Kristian Arnstad recordou imediatamente a reviravolta recente conseguida depois de uma derrota por 1-4. Mas essa memória também mostra o que o Benfica não pode fazer na segunda mão: confundir vantagem com apuramento.

Na Luz, a diferença entre as equipas foi maior do que a diferença no marcador. A primeira parte mostrou porquê. O golo sofrido e a gestão da segunda explicam por que razão ainda será necessário demonstrá-lo outra vez na Dinamarca.