Ruben Amorim não precisa das palavras de um adversário para transformar Juventus-Milan num jogo importante. O treinador português recusou responder à discussão sobre se os dois clubes devem já ser considerados candidatos ao título e colocou a exigência num lugar diferente: dentro da própria equipa.
«Se precisarmos das palavras de outros para nos motivar, significa que algo está errado.»
O Milan chega a Turim depois de duas vitórias nas duas primeiras jornadas e encontra uma Juventus igualmente sem pontos perdidos.
É o primeiro confronto direto de Amorim contra uma das principais equipas italianas desde que chegou a Milão, mas o treinador não pretende tratá-lo como exceção.
Para uma equipa com a dimensão do Milan, argumenta, todos os jogos devem carregar pressão.
A história recente serve-lhe simultaneamente de ambição e aviso.
Amorim considera o Milan naturalmente preparado para pensar no topo do futebol italiano, mas recorda que o clube conquistou apenas dois campeonatos nas últimas duas décadas.
É essa distância entre identidade histórica e rendimento efetivo que considera necessário reduzir.
O mercado foi construído para isso.
O treinador mostrou-se inteiramente satisfeito com as contratações realizadas e explicou que nenhuma entrada avançou sem consenso entre equipa técnica, direção desportiva e administração.
A regra foi simples: se alguém relevante no processo não estivesse convencido, o jogador não seria contratado.
Amorim admite apenas que a profundidade do ataque poderá tornar-se uma questão ao longo da época.
Ainda assim, identifica várias soluções capazes de responder, incluindo adaptações e a progressiva utilização dos jogadores mais jovens.
A mensagem antes de Turim é deliberadamente interna.
Não interessa o que um treinador rival pensa sobre o Milan.
Não interessa utilizar declarações alheias como combustível.
Interessa aquilo que a própria equipa consegue fazer.
Se ganhar, termina a jornada no topo.
Para Amorim, isso é argumento suficiente.















