Ruben Amorim chega ao primeiro grande teste no comando do Milan com uma transformação já reconhecível: a equipa procura pressionar mais alto, assumir maior iniciativa e provocar o erro do adversário em vez de simplesmente esperar por ele.
É essa identidade que começa a conquistar antigas referências do clube antes da deslocação à Juventus.
Alessandro Costacurta acompanha o trabalho do português desde o Sporting e identifica precisamente aí uma das características que mais lhe interessam.
Amorim aceita correr riscos para condicionar a construção adversária.
A equipa avança.
Pressiona.
Tenta obrigar o adversário a decidir antes de estar preparado.
É uma diferença de princípio, não apenas de desenho tático.
Costacurta também valoriza algumas das escolhas feitas na reconstrução do plantel, sobretudo a disponibilidade para abandonar estatutos anteriores quando o treinador acredita encontrar características mais adequadas àquilo que pretende construir.
Gianluca Zambrotta vê outra mudança.
Mentalidade.
O antigo lateral considera que o Milan procura agora recuperar a bola mais acima, cria maior quantidade de situações ofensivas e tem encontrado nas substituições uma forma de acelerar os jogos quando o adversário começa a perder capacidade física.
Os primeiros encontros deram sinais dessa profundidade.
Jogadores saídos do banco já tiveram influência direta nos resultados e aumentaram a capacidade da equipa para criar superioridade no um contra um.
Gonçalo Ramos também recebeu sinais positivos.
O avançado português ainda desperdiçou algumas ocasiões, mas a capacidade para aparecer repetidamente nas zonas de finalização é vista como um indicador importante.
Antes de marcar com regularidade, um avançado precisa de conseguir chegar.
Ramos está a chegar.
Agora precisa de transformar presença em eficácia.
A Juventus oferece um teste de natureza diferente.
O Milan venceu os dois primeiros jogos, mas ainda não tinha encontrado um adversário com a dimensão, qualidade individual e capacidade competitiva da equipa de Turim.
É também aí que a ideia de Amorim poderá ser medida com maior precisão.
Pressionar alto contra equipas inferiores pode traduzir superioridade.
Fazê-lo contra um adversário capaz de escapar à primeira pressão revela até onde o treinador está disposto a sustentar os próprios princípios quando o risco aumenta.
É exatamente isso que torna este Milan interessante.
Não apenas aquilo que já mudou.
Mas aquilo que Amorim fará quando mudar implicar arriscar.















