Sergi Altimira chegou ao Sporting com uma missão que dificilmente passaria despercebida: ocupar no meio-campo o espaço deixado por Morten Hjulmand. O espanhol de 24 anos não tenta fugir ao peso dessa sucessão e assume conhecer exatamente a responsabilidade que encontrou em Alvalade.
«Todas as equipas têm jogadores importantes e depois chegam outros que os tentam substituir. Sei onde estou e o que esperam de mim», afirmou.
Hjulmand deixou o Sporting para representar o Atlético de Madrid depois de se tornar capitão, referência competitiva e uma das figuras da equipa. Altimira foi contratado ao Betis para ajudar a reconstruir precisamente essa zona.
O primeiro impacto tem sido positivo.
O médio participou integralmente nas primeiras jornadas do campeonato e já marcou pelo Sporting, frente ao Vitória de Guimarães, num início que lhe permitiu assumir rapidamente protagonismo numa equipa onde a comparação com o antecessor seria inevitável.
O percurso até Alvalade ajuda também a explicar a naturalidade com que encara o desafio.
Altimira não fez uma ascensão direta entre academias de elite e equipas de Champions. Passou pelos escalões inferiores do futebol espanhol, jogou na antiga Segunda División B e foi subindo gradualmente até chegar ao Betis.
«Tive de trabalhar no duro», recordou, explicando que a decisão de abandonar Sevilha nasceu precisamente do receio de interromper essa progressão.
No Sporting encontrou aquilo que procurava: responsabilidade, minutos e uma equipa onde pode assumir um papel central na construção do jogo.
A referência pessoal é Rodri.
Altimira destaca sobretudo aquilo que tantas vezes não aparece nas estatísticas do médio espanhol: inteligência tática, ocupação dos espaços e capacidade para realizar um trabalho essencial sem necessitar de ser permanentemente protagonista da ação.
«Muitas vezes passa despercebido, mas faz um trabalho incrível. Tem uma inteligência tática brutal», explicou.
A comparação diz também alguma coisa sobre a forma como Altimira interpreta a própria posição. O médio não se define apenas pela recuperação da bola ou pelo passe, mas pela capacidade de perceber quando acelerar, onde se colocar e como garantir equilíbrio à equipa.
É precisamente uma das exigências que herdou de Hjulmand.
Quando a conversa passou dos modelos para o limite da ambição, o espanhol não tentou parecer modesto.
Questionado sobre a possibilidade de um dia atingir o patamar máximo do reconhecimento individual, respondeu com humor, mas não recusou o sonho: «Bola de Ouro? Por que não? Assinava já.»
Não é uma candidatura. É uma declaração sobre a dimensão da ambição.
Altimira ainda está a começar em Alvalade e sabe que substituir um capitão não se consegue em duas jornadas. Mas a primeira resposta já foi dada: não chegou ao Sporting para viver à sombra de Hjulmand.
Chegou para construir o próprio lugar.















