Francisco Domingues precisou de um único toque para transformar uma bola aparentemente comum à entrada da área num dos golos mais invulgares da época. O lateral-esquerdo do Moreirense marcou de letra, de fora da área, decidiu o triunfo por 1-0 sobre o Casa Pia e começou imediatamente a ser associado a uma futura candidatura ao Prémio Puskás.
Aos 24 minutos, João Veloso disputou uma bola aliviada pela defesa casapiana e conseguiu fazê-la chegar a Domingues.
O lateral não dominou.
Com o corpo orientado para uma solução aparentemente impossível, golpeou de letra com o pé esquerdo e fez a bola sobrevoar André Gomes antes de entrar junto ao ângulo.
Foi o único golo do encontro.
O Casa Pia teve mais posse, procurou insistentemente o empate e acertou duas vezes nos ferros, mas o Moreirense conservou a vantagem e conquistou a primeira vitória no campeonato.
Luís Castro, atual treinador do Levante e responsável pela estreia de Francisco Domingues na equipa B do Benfica, não escondeu o impacto da execução.
«Começamos já a época com um sério candidato ao prémio Puskás», afirmou, acrescentando que o golo «mete já pressão em todo o mundo».
É, naturalmente, uma avaliação e não uma nomeação oficial.
O Prémio Puskás será decidido mais tarde entre golos selecionados pela FIFA, mas a execução de Rio Maior tem os elementos que normalmente transformam um lance numa candidatura internacional: dificuldade técnica, distância, surpresa e uma trajetória pouco reproduzível.
Para Luís Castro, a afirmação do jogador não constitui surpresa.
Recorda um lateral com qualidade técnica e forte presença no grupo, a quem chegou a pedir que permanecesse na formação secundária do Benfica quando existiram possibilidades de saída.
Francisco Domingues acabou por procurar fora da Luz o caminho até à Liga.
Chegou lá.
E, numa tarde em Rio Maior, inventou um golo que poderá levá-lo muito mais longe.















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